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“Xerifão” dos anos 80, Careca deixou saudades no Flu de Feira

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Ao longo da sua trajetória, o Fluminense de Feira sempre apostou na vinda de atletas “estrangeiros” para compor o seu elenco nas competições que disputava. Muitos deles passaram por Feira de Santana e deixaram a sua marca. É o caso do zagueiro “xerifão” Careca, que tinha este apelido por conta da contradição com a vasta cabeleira (foto) que ostentava nos bons tempos em que esteve jogando ao lado de grandes craques como Tanta, Ubiraci, Zelito, Rivaldo, Quirino, Hugo dentre outros. Careca que hoje vive em Manaus\AM é sergipano, mas passou pelo Touro do Sertão e deixou muitas saudades.

Careca conta que veio para o Fluminense em 1988. “Jogava em Sergipe e aí quem me indicou para cá foi Caximbau (Antônio Luís Góis), que era supervisor do clube. Quando cheguei ainda encarei um pouco de desconfiança por parte dos dirigentes, mas aos poucos fui conquistando o meu espaço e graças a Deus criei uma empatia grande com a torcida com a imprensa”, lembra.

O ex-zagueiro lembra que o time era de grande qualidade técnica. “Rapaz quando eu cheguei aqui tinha caras como o Jorge (goleiro), Zelito (volante), Hugo (meia), tinha o Quirino (atacante)… Era um time maravilhoso e eu tive trabalho para conquistar espaço porque a zaga era Tanta e o saudoso Ubiraci. Os caras jogavam muito, o Tanta mesmo foi vendido para o Santa Cruz\PE, tinha muita qualidade e como não jogar bem com essa turma?”, observa, “A grande diferença daquele tempo era que a gente jogava por prazer, por amor e o dinheiro não era o principal fator como a gente vê hoje, infelizmente o futebol perdeu muito dessas coisas”, complementa.

O estilo de Careca era diferente dos companheiros de setor. “O Tanta sabia sair jogando, como eu já disse tinha uma técnica como poucos. Eu era mais aquele ‘xerifão’, não perdia viagem porque o nível dos adversários era demais. O campeonato era longo, as equipes podiam se ajustar e por conta disso a competitividade era muito maior, então tinha que ter aquele cara que não brincava em serviço. Era eu”, lembra. “De vez em quando eu dava uma ‘viajada’ até a área adversária e bancava o ‘elemento surpresa, com cabeceios e umas pancadas também de fora da área. Fiz alguns gols desta maneira”, complementa.

Careca conta que um dos adversários mais difíceis que já marcou foi o atacante Naldinho, que jogou na Catuense e depois foi para o Bahia. “Rapaz, quando a gente jogava com a Catuense, saia ‘lasca de fogo’, eram jogos realmente muito pegados porque os caras eram bons demais. Também, um time que tinha Wandick e Naldinho como atacantes? O Naldinho era chato demais mesmo para marcar. Eu lembro de uma vez, que eu dei uma pegada nele que ele foi para na pista de atletismo e ficou barato porque nem amarelo eu levei no lance”, recorda.

A DECISÃO DE 1990

Careca, na sua primeira passagem pelo Fluminense ficou entre os anos de 1988 a 1990, quando o time chegou a final do Campeonato Baiano, no emblemático jogo contra o Vitória na Fonte Nova, em que o time saiu de campo depois da queda da energia elétrica no estádio. “O jogo que não saiu da minha cabeça nunca foi aquele porque, rapaz, a gente sem falsa modéstia tinha um time excelente e os caras, se a decisão fosse em campo não iam ganhar fácil não porque nosso time era certinho demais. O Jorge, o Quirino, o Rivaldo, o Baiano, Zelito, Itamar, olha só a base? A zaga era Jorginho e eu, ainda tinha o Xodó e o Tição. Nossa Senhora!!! Era um time bom demais!!!”, afirma. “O técnico era o Queiroz (José Carlos Queiroz) que era excelente: treinava as jogadas de fundamento, nos dava macetes que dentro jogo a gente aplicava e dava certo. O time chegou a final por méritos e para mim teria sido campeão naquele ano”, observa.

Careca não esconde a frustração pela decisão tomada pela diretoria de tirar o time de campo naquele dia. “Quem lembra do jogo, sabia que o Fluminense estava bem em campo. A partida tava dura, os caras tentando de toda forma chegar, mas a gente equilibrando e quando faltou a luz, não tinha quem arriscasse um prognóstico, um placar por conta do equilíbrio. A gente foi para o vestiário, a confiança era grande de ser campeão naquele dia, mas ai veio a decisão dos dirigentes e a gente realmente naquele instante ficou frustrado e triste porque todos sabiam que se fosse campo as nossas chances eram maiores”, comenta.

O ex-jogador não descarta a hipótese de armação para o Vitória ser campeão. “Não tem como não pensar porque o Paulo Carneiro queria ser campeão de qualquer jeito. Ele queria ser presidente do Vitória e fez a zoada toda, encurralou juiz no vestiário… todo mundo viu. Não precisava de nada daquilo, mas o medo deles era grande porque o nosso time se garantia. A gente ganhava deles e do Bahia, tanto em Feira como em Salvador, eles sabiam que o Fluminense era ‘osso duro de roer’ e para ganhar, tinham que se rebolar mesmo”, acrescenta

Careca deixou o Fluminense ainda em 1990 e três anos depois voltava ao Touro do Sertão que na oportunidade era treinando pelo saudoso Nivaldo Santana. “O time foi terceiro colocado no Baiano daquele ano. Eu formava a zaga com Gilson, mas o time tinha Jean e Reinaldo, dois grandes goleiros, tinha Zelito, Jorginho Capixaba, o Glaedson, foi um time muito bom que naquele ano chegou bem no Baiano: tinha uns caras do Espirito Santo, outros do Amazonas, deu ‘um bom caldo’ naquele ano”, lembra.

ATUALMENTE  

Depois de passar pelo Fluminense, Careca foi para o Amazonas, onde jogou os seus últimos anos como profissional antes de “pendurar as chuteiras”. Atualmente ele tem residência fixa em Manaus, mas não atua com o futebol. “Não tive muito estudo, mas aprendi que a gente não deve trabalhar para ninguém e me preparei para quando parasse de jogar não dependesse de ninguém. O dinheiro que ganhei montei comércio no ramo de açaí (fruta muito consumida no Norte do país) e vivo bem graças a Deus. Minha esposa é funcionária do Estado, também tenho uma filha que estuda Direito e graças a Deus a vida tá arrumadinha” conta.

Para Careca, o Fluminense de Feira foi uma página especial no “livro” da sua vida. “Além de ter grandes companheiros em campo, a gente era uma família e aí eu incluo também os torcedores que sempre tiveram muito carinho com a gente, a imprensa também, quantas e quantas vezes jogamos como o Joia lotado? E olha que que as vezes nem era decisão de turno, nem nada porque as pessoas queriam ver a gente jogar. Era lindo, tenho ótimas lembranças daí e espero em breve ir a Bahia reencontrar os amigos”, afirma Careca.

Por Cristiano Alves

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